Por que melhorar ou buscar uma estratégia de Governança de TI?

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A Governança Corporativa

Para iniciarmos bem este assunto, precisamos esclarecer, brevemente, um pouco da Governança Corporativa nas empresas. Esse tema foi dominante nas empresas americanas por ocasião dos escândalos corporativos no ano de 2002, mais especificamente nas empresas Enron, Worldcom e Tyco, citando apenas essas. É do conhecimento de todos que tais escândalos são bem mais antigos, entretanto, a gravidade dessas empresas citadas, tiveram impactos financeiros que assustaram o mercado, gerando, naturalmente, grande desconfiança em investidores, tanto institucionais como individuais e sobrelevou a preocupação com a habilidade e a governabilidade de empresas privadas e a proteção das partes interessadas internas e externas.

Isso gerou uma crise de desconfiança em vários setores, causando a queda do preço de ações em todos os continentes e especialmente nos Estados Unidos. Isso nos leva a pensar, sem maiores detalhes que a Governança Corporativa é importante para os investidores, sendo considerada, inclusive como indicador financeiro para as decisões de investimentos. Um estudo realizado pela McKinsey constatou isso, nele foi revelado que investidores se dispõem a pagar um ágio para investir em empresas com altos padrões de Governança Corporativa, cuja variação é de 13% à 25%.

Desde 2002, temos publicações de diversos artigos, livros, dissertações e teses sobre esse tema, todos eles propondo uma forma de estruturar os processos de negócios numa boa governança. Criando assim uma espécie de princípios de Governança Corporativa. De fato, surgiu um princípio, publicado em 1999 pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), definindo a governança corporativa como a criação de uma estrutura que orientassem os objetivos estratégicos da organização e a sua devida monitoração para a concretização desses objetivos.

No Brasil temos o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que desde 1995 vem atuando e contribuindo para o melhor desempenho das empresas, pela influência no sentido de mais transparência, justiça e responsabilidade. Recomendo a visita ao site para saberem mais sobre os cursos, congressos e publicações, para tanto, segue o link www.ibgc.org.br.

A Governança de TI 

Basicamente a Governança de TI se desenrola pela estruturação existente da empresa e pelos comportamentos dos seus executivos. Tais comportamentos, podem ser entendidos como diferentes para cada empresa, principalmente se pensarmos no aspecto da estruturação dos princípios de Governança Corporativa, caso existam. A Governança Corporativa, em tese, determina quem toma as decisões e a administração segue o processo de tomar e implementar tais decisões. A administração geralmente define ou determina quanto cada área terá de budget para ser investido e gasto ao ano. É exatamente neste momento que a Governança de TI deve ser estimulada por seu principal executivo, no sentido de entender os objetivos de negócios de cada área para que seja articulado os comportamentos de alinhamento e desdobramento em objetivos de TI.  Nessa oportunidade, pode-se obter um comportamento desejável, onde as decisões de investimentos em TI podem ser tomadas em conjunto com os principais executivos.

Como dito anteriormente, cada empresa tem a sua estrutura (com os princípios de Governança Corporativa ou não) e, portanto, pode não seguir uma orientação unificada de negócios, sendo mais complexa, por exemplo, com várias unidades de negócios e diretorias distintas, conforme os segmentos que atua.

Quando não há os princípios de Governança Corporativa, o desafio se torna maior, pois haverão desalinhamentos e comportamentos irregulares. Algumas unidades de negócios podem ter a característica de obter resultados rápidos, impulsionadas pela inovação tecnológica, e outras são fundamentadas em processos meticulosos, os quais dependem de maior tempo para entregarem os seus produtos com mais qualidade ou outro aspecto exigido pelo cliente.

Enfim, a Governança de TI, pode ser usada como um forte aliado na construção de baixo para cima (na minha opinião), levando os conceitos mais fundamentais para se alcançar a reestruturação de cima pra baixo. Pensando em um cenário onde não existam os princípios de Governança Corporativa. Entretanto, numa organização que já esteja numa maturidade qualquer de Governança Corporativa, a Governança de TI é indispensável para o sucesso dessa organização (opinião da maioria dos executivos de TI).

Aos mais ávidos e dedicados ao tema de Governança TI, esclareço que estou resumindo muito, para um público mais amplo e assim tentar levar um olhar de cima para entenderem que não se terá uma Governança de TI sem um esforço ou patrocínio do Conselho, da Alta direção, dos Altos Executivos e de um profissional de TI que saiba articular todos os frameworks necessários ao tema.

Quais os ganhos iniciais com a Governança de TI?

Realmente seria possível dar alguns exemplos de ganhos financeiros neste momento, entretanto, prefiro pensar em outro aspecto. O maior ganho que entendo como inicial é o pleno alinhamento dos executivos ou partes interessadas internas e externas com a TI. Esse encontro de expectativas das áreas de negócios é justamente o diferencial que todas as TI esperam entender para caminharem para a excelência operacional. Quando há convergência dos investimentos de TI com as necessidades das partes interessadas, se observa um comportamento geral muito positivo. Este é o princípio de credibilidade que os profissionais de TI precisam para serem ou estarem, como dizem algumas metodologias, motivados e em busca de melhorias. Pensando assim, muitas inovações que virão dessa sociedade do conhecimento que vivemos, serão certamente dessa parceria estratégica.

Quanto tempo para se obter resultados expressivos?

Um trabalho eficaz de implantação da Governança de TI, leva tempo e deve acumular maturidade em processos e nas pessoas envolvidas, sendo essas pessoas de todas as áreas. Lembre-se que uma boa Governança de TI precisa harmonizar comportamentos, entender as expectativas e traduzir objetivos de negócios em objetivos de TI. Isso precisa ser trabalhado com diversas cabeças pensantes e mãos habilidosas. Outro aspecto importante a ser pensado é a quebra de paradigmas, como por exemplo, que a TI é cara. Nesse paradigma citado, há de se desdobrar um trabalho de gestão financeira adequada para que todos entendam como a TI direciona os seus investimentos e gastos.

Quais os benefícios futuros?

Creio que todos ou a maioria dos leitores desse tema, sabem como é difícil manter uma empresa com um desempenho sustentável e rentável. Também sabem quantas tecnologias (alguns casos) foram adquiridas ao longo da sua existência operacional. Acredito que o maior impasse da maioria das pessoas que assinam o cheque (ou a assinatura eletrônica) é saber exatamente no que está sendo investido na TI, visto que geralmente não é possível demonstrar, de forma tangível tal investimento. A Governança de TI tem uma estrutura de processos interligados com outras metodologias e melhores práticas que se cruzam e que se aderem para chegarem à Governança Corporativa, hoje com um catalizador maior que é a ISO 38500. Assim, é possível demonstrar claramente onde se está investindo e quais são os parceiros na decisão.

Os esforços envolvidos para se chegar a uma alta maturidade em Governança de TI, equivale, diretamente em fortalecer os processos mais fundamentais para o efetivo atendimento dos usuários, o melhor uso da infraestrutura, o aprendizado organizacional em todos os níveis, a entrega dos serviços com maior qualidade,  no menor tempo requerido, com o máximo de disponibilidade e desempenho. O benefício mais expressivo que vejo para o futuro das organizações é a pavimentação de um caminho absolutamente robusto para a Governança Digital. Imagine que todos os seus investimentos de TI tenham escalabilidade, portanto, serão aproveitados em tempo oportuno. Imagine que todas as tecnologias futuras serão facilmente integradas no seu parque de software e hardware, sem ter que “jogar fora”, pois os legados adquiridos ao longo da existência da empresa foram adquiridos com base na visão de Governança de TI, portanto, tudo seria aproveitado, trazendo para esse cenário o conceito de retrofitting (modernizar equipamentos considerados ultrapassados).

Concluindo

Este assunto não poderia ser esgotado neste mini artigo, se posso chamar assim. A intenção era criar uma linha de pensamento sobre a pergunta inicial da publicação e levar o leitor para uma reflexão macro do assunto, partindo do princípio ou o motivo da existência da Governança de TI que é a Governança Corporativa. Particularmente eu acredito, estudo, pratico e evangelizo os conceitos de Governança de TI e já me atualizei com a nova forma de pensar que é a Governança Corporativa de TIC. Esse nome novo traz um conceito mais integrado com a Governança Corporativa e também reforça que tudo que falamos sobre Governança de TI não morreu, ao contrário, veio para ficar, e ser uma ferramenta indispensável para o sucesso da Governança Corporativa.

Desejo que todas as organizações brasileiras tenham a possibilidade de iniciar com as práticas de Governança Corporativa de TIC e colham resultados extraordinários.

By TNEG – Transformação de Negócios e de pessoas.

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